Jesus Descrucificado
- amoreluz228
- 28 de set. de 2025
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No percurso evolutivo, os espíritos materializados, quando encarnados, rendiam cultos sempre abrangentes aquilo que lhes chegasse ou ferisse à zona dos sentidos motores.
Originando-se também o modelo organizacional da sociedade, creditando somente a poucos, aqueles primeiros que de alguma forma demonstravam ser diferentes, degradando-se, porém, a simples subjugação arbitrária, advindas das imperfeições naturais do estágio em que a criatura se encontra.
Ao tempo de Moisés, reconhecido pela Doutrina Espírita como a primeira revelação, que colimam numa melhor consciência do eu divino e da presença viva de Deus, cultuávamos insistentemente Baal, Moloch, Mamon, entre outros. O bezerro de ouro grafado em nossa mente, que ainda possuía enraizamentos de ter a ser.
O tempo acelera e a vinda do Cristo, o Messias aguardado por uma nação de povo, rendendo cultos, por vezes exagerados a Ele, chega. Ele, figura singular, trazia a Boa-Nova, refutando as inconsequências reproduzidas pelo orgulho, vaidade e egoísmo. Não veio para os sãos, pois aqueles já o seguiam de bom grado, veio ter com aqueles que a tudo ignoravam, seu público não era o sacerdócio, as casas de oração, as sinagogas, mas a multidão esfaimada, degenerada e esquecida pela mesma sociedade que um dia lhes fora palco.
Ele, atentamente, ouvia as dores e com o Seu Verbo inflexionava na sua voz, ondas suaves de ternura, paz e amor.
Da sua boca, bailavam os convites de retorno ao convívio com o Criador.
Entretanto, conservando-se na concha da ignorância, aqueles, os dominadores, caçaram-nO como lobos vorazes e terminaram por incrustá-lO no suplício final colimado no Gólgota.
Naquele instante, nas consciências, fixou-se a cruz infamante que dificilmente é retirada, senão, com dose de esforço para vencer-se.
Acontece que para o Sinédrio, mais cômodo era acatar Moisés no que lhes era conveniente a revolucionar-se, a preencher-se com a luz que o Nazareno trazia.
Sucederam-se os séculos e o culto a Ele, foi reconhecido e instituído, porém, deturpado. Utilizaram-se de seu nome, de suas palavras e atos, para validarem atitudes negativas perante Deus, perante o outro.
Fingiam, em verdade, segui-lO. Mas a cruz continuou fixada nas mentes imperfeitas que não ressignificavam os seus atos para melhor conduta.
A ganância, a soberba e avareza cresciam, o arrependimento ao retornar a esta esfera da vida não era eficaz, parecia para os espíritos que se engendravam nas tarefas de ressarcimento, que não seria possível vencerem-se a si mesmos, carentes que estavam da presença daquele que foi crucificado.
Fora Jesus a segunda e mais significativa revelação, pois, mexera no âmago de todos os seres. Uma vez conhecido, não era esquecido.
Inquisição, perseguições várias, grafaram na história da Humanidade o sangue de muitos mártires, de espíritos mais conscientes, que marchavam para o martírio, para o holocausto, declarando seu amor a Ele, entoando hosanas.
O pensamento intelectivo, por sua vez, veio acompanhando o desenvolvimento da criatura, a era da revolução industrial, das descobertas fisiológicas, das áreas físicas e matemáticas, da astronomia, da informação, da tecnologia. Não obstante, permanece quase o mesmo, com pequenas modificações, reproduzindo por vezes, igual comportamento dantesco, vil, doente que se conserva a criatura humana. Visto que enxerga ainda a cruz no alto do monte, exigindo-lhe reparo e renovação.
Para estes avanços, corrobora o Espiritismo com as outras duas revelações, ilumina novamente a mente humana, acerca das potencialidades de que é possuidor.
Encontrava-se em gérmen, esperando o tempo propício para florescer e aqueles mártires do passado, retornavam naquele instante, testificando a mudança que é enxergar Jesus descrucificado, junto de nós, ao nosso lado, como irmão companheiro que realmente é.
A cruz, com o olhar espírita, desmembra-se de um simples ato perverso consoante a maldade interior da massa humana, para representar a maior doação de amor comprovada até os dias atuais.
Ninguém que se equipare ao seu amor.
Todos, porém, dever ser êmulos dele, vigilantes como atalaias ao comportamento exercido e no que ele infunde na sociedade em que estamos inseridos.
Qual contribuição tem sido a nossa?
Agregamos no movimento revolucionário que o Cristo trouxe?
Ou mais uma vez nos envolvemos nas forças contrárias que tentam nos afastar da Luz?




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