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Jesus Descrucificado

No percurso evolutivo, os espíritos materializados, quando encarnados, rendiam cultos sempre abrangentes aquilo que lhes chegasse ou ferisse à zona dos sentidos motores. 

Originando-se também o modelo organizacional da sociedade, creditando somente a poucos, aqueles primeiros que de alguma forma demonstravam ser diferentes, degradando-se, porém, a simples subjugação arbitrária, advindas das imperfeições naturais do estágio em que a criatura se encontra. 

Ao tempo de Moisés, reconhecido pela Doutrina Espírita como a primeira revelação, que colimam numa melhor consciência do eu divino e da presença viva de Deus, cultuávamos insistentemente Baal, Moloch, Mamon, entre outros. O bezerro de ouro grafado em nossa mente, que ainda possuía enraizamentos de ter a ser. 

O tempo acelera e a vinda do Cristo, o Messias aguardado por uma nação de povo, rendendo cultos, por vezes exagerados a Ele, chega. Ele, figura singular, trazia a Boa-Nova, refutando as inconsequências reproduzidas pelo orgulho, vaidade e egoísmo. Não veio para os sãos, pois aqueles já o seguiam de bom grado, veio ter com aqueles que a tudo ignoravam, seu público não era o sacerdócio, as casas de oração, as sinagogas, mas a multidão esfaimada, degenerada e esquecida pela mesma sociedade que um dia lhes fora palco. 

Ele, atentamente, ouvia as dores e com o Seu Verbo inflexionava na sua voz, ondas suaves de ternura, paz e amor. 

Da sua boca, bailavam os convites de retorno ao convívio com o Criador. 

Entretanto, conservando-se na concha da ignorância, aqueles, os dominadores, caçaram-nO como lobos vorazes e terminaram por incrustá-lO no suplício final colimado no Gólgota. 

Naquele instante, nas consciências, fixou-se a cruz infamante que dificilmente é retirada, senão, com dose de esforço para vencer-se. 

Acontece que para o Sinédrio, mais cômodo era acatar Moisés no que lhes era conveniente a revolucionar-se, a preencher-se com a luz que o Nazareno trazia. 

Sucederam-se os séculos e o culto a Ele, foi reconhecido e instituído, porém, deturpado. Utilizaram-se de seu nome, de suas palavras e atos, para validarem atitudes negativas perante Deus, perante o outro. 

Fingiam, em verdade, segui-lO. Mas a cruz continuou fixada nas mentes imperfeitas que não ressignificavam os seus atos para melhor conduta. 

A ganância, a soberba e avareza cresciam, o arrependimento ao retornar a esta esfera da vida não era eficaz, parecia para os espíritos que se engendravam nas tarefas de ressarcimento, que não seria possível vencerem-se a si mesmos, carentes que estavam da presença daquele que foi crucificado. 

Fora Jesus a segunda e mais significativa revelação, pois, mexera no âmago de todos os seres. Uma vez conhecido, não era esquecido. 

Inquisição, perseguições várias, grafaram na história da Humanidade o sangue de muitos mártires, de espíritos mais conscientes, que marchavam para o martírio, para o holocausto, declarando seu amor a Ele, entoando hosanas. 

O pensamento intelectivo, por sua vez, veio acompanhando o desenvolvimento da criatura, a era da revolução industrial, das descobertas fisiológicas, das áreas físicas e matemáticas, da astronomia, da informação, da tecnologia. Não obstante, permanece quase o mesmo, com pequenas modificações, reproduzindo por vezes, igual comportamento dantesco, vil, doente que se conserva a criatura humana. Visto que enxerga ainda a cruz no alto do monte, exigindo-lhe reparo e renovação. 

Para estes avanços, corrobora o Espiritismo com as outras duas revelações, ilumina novamente a mente humana, acerca das potencialidades de que é possuidor. 

Encontrava-se em gérmen, esperando o tempo propício para florescer e aqueles mártires do passado, retornavam naquele instante, testificando a mudança que é enxergar Jesus descrucificado, junto de nós, ao nosso lado, como irmão companheiro que realmente é.  

A cruz, com o olhar espírita, desmembra-se de um simples ato perverso consoante a maldade interior da massa humana, para representar a maior doação de amor comprovada até os dias atuais. 

Ninguém que se equipare ao seu amor. 

Todos, porém, dever ser êmulos dele, vigilantes como atalaias ao comportamento exercido e no que ele infunde na sociedade em que estamos inseridos. 

Qual contribuição tem sido a nossa? 

Agregamos no movimento revolucionário que o Cristo trouxe? 

Ou mais uma vez nos envolvemos nas forças contrárias que tentam nos afastar da Luz? 

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